Sinto-me impotente. Tudo aquilo que me foi ensinado no curso está muito aquém daquilo que eles precisam. Ao mesmo tempo, sinto-me demasiado imatura para conseguir assegurar as necessidades que lhe tragam bem-estar.
Preciso de água, calor e tempo. Preciso que a água esteja bem nutrida, se entranhe no meu cale e me traga a sabedoria. Não me quero sentir inútil.
Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.
Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"
Heterónimo de Fernando Pessoa
"Sempre que assistimos ao nascimento de um bebé, nasce também um pai e uma mãe"
A. Enfermeira Especialista em Obstetrícia
Queixas-te porque não encontras nada a teu gosto?
São então sempre os teus velhos caprichos
Ouço-te praguejar, gritar e escarrar...
Estou esgotado, o meu coração despedaça-se.
Ouve, meu caro, decide-te livremente.
A engolir um sapinho bem gordinho,
De uma só vez e sem olhar.
É remédio soberano para a dispepsia.
Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"
Naquele preciso momento o homem disse:
«O que eu daria pela felicidade
de estar ao teu lado na Islândia
sob o grande dia imóvel
e de repartir o agora
como se reparte a música
ou o sabor de um fruto.»
Naquele preciso momento
o homem estava junto dela na Islândia.
Tradução de Fernando Pinto do Amaral
“Lembrar-me de que todos estaremos mortos em breve é a ferramenta mais importante que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas na vida”
Steve Jobs in Jornal Público
Vi nos teus olhos uma pérola
Mergulhada num mar de rosas
Escondido no teu peito havia um soluço
Um pedido de ajuda
Carinho, amor, afecto
Foi o teu silêncio que me mostrou o sofrimento
Que por vezes nos pega desprevenidos
Desarmados
Sem capacidade de fazermos alguma coisa
Um só acto apenas
Tentar no fundo dos teus olhos
E de muitos outros como tu
Que apelam somente com o olhar.
Um olhar que a humanidade teria ouvido
E percebido
O engolido grito
Desse apelo oculto
Que é o desespero
De quem vai mas quer ficar.
A sociedade não ouve
Mas ainda está a tempo de perceber esse sinal
E tentar uma mudança para salvar
Sem desperdiçar a tentativa
Nem ficar impassível para mais tarde lamentar
E dizer “ Se eu soubesse…”
Se eu pudesse
E pode!
Maria José Dias
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca
Onde os meus pés estiverem,
aí estará a minha raiz para me sustentar,
para me erquer e me lançar nas asas do vento,
da chuva e do sol.
Quando o meu chão se abala e estremece,
é a minha raiz sacundindo os galhos, os frutos e os talos...
que só a lucidez já me quis...
E quando o meu ódio é frio, e o meu amor é ardente,
são as asas da vida equilibrando os planos...
E quando a minha voz faz questão de dar o meu segredo,
e o meu coração revelar os meus desejos,
são os palcos da vida lecantando os panos...
Aonda a razão me levar, sob o chão estará a minha raiz,
para me fortalecer, me fortificar, romper, perdoar ou calar,
e se um dia o meu sol se esconder,
é que a noite também vive em mim,
e a lua virá para alterar as minhas marés.
e as estrelar guiarão os meus pés...
E quando o que em mim é sagrado se torna profano,
é que,
anunciada a vida,
há um querer mais cigano,
é que a luz dessa noite me quer com mais clareza,
e nas veias do mundo
eu sou sangue que alimenta, eu sou coragem!
As estradas da vida são uma eterna coragem,
e aí se revela a minha natureza...
Ana Cunha - Fontanelas - Verão 1991 in "O Vento e a Lua" de Rita Ferro
A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onte está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Costrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jadim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
Florbela Espanca

"Deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer sou isto é certo mas sei que tu estás aqui" Ruy Belo
Curar às vezes, aliviar frequentemente, cuidar sempre
(Doyle (et at) 1998; Gomez Sancho, 1999)
Gosto de ti.
Perdou-me.
Perdou-te.
Obrigado.
Adeus
O que mais atormentava Ivan Ilitch, além da mentira, ou como consequência dessa mentira, era que ninguém o lamentava como ele queria ser lamentado. Em certos momentos, depois de longas crises dolorosas, por muita vergonha que sentisse de a si próprio confessar, mais que tudo teria desejado que o lamentassem como a uma criancinha doente. Tinha vontade de que lhe fizessem festas, o beijassem, chorassem ao pé dele, como se acariciam e se consolam as crianças.
" A morte de Ivan Ilitch", L. Tolstoi
Vale a pena lerem este pequeno livro:
http://coquimdownload.net/liev-tolstoi-a-m
Quando o sofrimento é muito, o pensamento não chega a fazer-se (...) é só sofrimento por todo o lado (...)
"La Douler", Marguerite Duras
Isto é o que as aulas de Cuidados Paliativos fazem...
pensar e chorar! =)
CURA, APOIO, CONFIANÇA, NOVOS OBJECTIVOS E ESPÍRITO DE LUTA
tom - What happens if you fall in love?
summer - You don't believe in that, do you?
t- It's love, it's not Santa Claus.
s - Well, what does that word even mean? I've been in relantionships and I don't think I've ever seen it.
There's no such thing as love, is fantasy.
t- I think you're wrong!
s- So what is it that i'm missing then?
t- I think you konw it when you feel it!
"... os sentimentos perdem-se nas palavras. Todos deveríamos transformá-los em acções [...] que tragam resultados."
Florence Nigthingale
Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.
No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um animal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.
O mistério continua a parecer-me evidente.
O que é que o prende, então?
Porque é que não foge?
Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.
Fiz, então, a pergunta óbvia:
— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?
Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.
Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:
O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.
Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.
Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.
Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.
Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.
E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.
Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…
Jorge Bucay
Deixa-me que te conte. Os contos que me ensinaram a viver
Lisboa, Pergaminho, 2004
"Um conto diz que duas crianças estavam a patinar em cima de um lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam sem preocupação.
De repente, o gelo quebrou-se e uma das crianças caiu na água.
A outra criança viu que o seu amigo estava afogar-se debaixo do gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, conseguindo quebrá-lo e salvar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que tinha acontecido, perguntaram ao menino:
- Como fizeste isto?
É impossível teres quebrado o gelo com essa pedra e com essas mãos tão pequenas!
Nesse instante apareceu um ancião e disse:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Como?
O ancião respondeu:
- Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não poderia fazer. "
Contado pela AB
Beijinho para ela
Tenho mais pena dos que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. Não me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado à costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece.
Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo'
Sofres e choras? Vem comigo! Vou mostrar-te
O caminho que leva à Cidade do Sonho...
De tão alta que está, vê-se de toda a parte,
Mas o íngreme trajecto é florido e risonho.
Vai por entre rosais, sinuoso e macio,
Como o caminho chão duma aldeia ao luar,
Todo branco a luzir numa noite de Estio,
Sob o intenso clamor dos ralos a cantar.
Se o teu ânimo sofre amarguras na vida,
Deves empreender essa jornada louca;
O Sonho é para nós a Terra Prometida:
Em beijos o maná chove na nossa boca...
Vistos dessa eminência, o mundo e as suas
Tingem-se no esplendor dum perpétuo arrebol;
O mais estéril chão tapeta-se de alfombras,
Não há nuvens no céu, nunca se põe o Sol.
Nela mora encantada a Ventura perfeita
Que no mundo jamais nos é dado sentir...
E a um beijo só colhido em seus lábios de Eleita,
A própria Dor começa a cantar e a sorrir!
Que importa o despertar? Esse instante divino
Como recordação indelével persiste;
E neste amargo exílio, através do destino,
Ventura sem pesar só na memória existe...
António Feijó, in 'Sol de Inverno'
E se um dia te sentires inútil ou deprimido, lembra-te só disto: Já houve um dia em que foste o espermatozóide mais rápido do grupo!!!
Sabem porque é o pão se queima, o leite entorna, e a mulher engravida? Porque não se tira a tempo...
Se o amor é cego, o que é preciso é apalpar...
Nasci careca, nu e sem dentes. O que vier, é lucro!
Vivemos várias vidas numa única, e bastante menos que uma em todas.
Alice Cary, 1820-1871, poetisa americana, Life's Mysteries.
A experiência é o nome que todos damos às nossas asneiras.
Óscar Wilde, 1854-1900, escritor irlandês, Lady Windermere’s Fan
Todas as coisas de que realmente gosto são ilegais, imorais ou engordam.
Alexander Woolcott, 1887-1943, ensaísta e jornalista americano, citado em The Algonquin Wits, de R. E. Drennan
A vida é uma doença transmitida sexualmente.
Autor desconhecido
Metade da vida já passou antes de sabermos o que ela é.
George Herbert, 1593-1633, poeta escocês, Jacula Prudentum
É bom estar sentado no quarto contigo a sonhar
E a ouvir a música a tocar
A vida é um cabaré, velho companheiro.
Bem-vindo ao cabaré.
Pára com a malha, o livro, e as lérias
É tempo para umas boas férias
A vida é um cabaré, velho companheiro.
Bem-vindo ao cabaré.
Vem saborear o vinho, ouvir a banda a tocar
Vem com o teu instrumento, começa a celebrar
Por aqui exactamente... este é o teu lugar
Não dês ouvidos a certos profetas da condenação
Que votam o riso à escuridão
A vida é um cabaré, velho companheiro.
Bem-vindo ao cabaré.
Costumava ter uma amiga chamada Elsie
Com quem partilhei um sórdido quarto em Chelsea
Não era propriamente flor de cheiro
De facto ela cobrava a dinheiro
No dia em que morreu, os vizinhos abafaram o riso
O que sempre acontece quando se bebe e se tem pouco juízo
Mas quando eu a vi deitada como uma rainha
Vi o cadáver mais feliz que a vida tinha
E penso em Elsie desde esse mesmo dia
Recordo como ela me disse enquanto comia
É bom estar sentado sozinha no quarto contigo a sonhar
E a ouvir a música a tocar
A vida é um cabaré, velho companheiro
Bem-vindo ao cabaré.
E no que a mim me toca
Uma decisão tomei, nesse dia, em Chelsea
Quando tiver que ir, irei tal qual a Elsie
Começa por admitir que do primeiro ao último dia
Não é uma assim uma tão grande estadia
A vida é um cabaré, velho companheiro
É apenas um cabaré, velho companheiro
E eu amo um cabaré.
Fred Ebb and John Kander, autores americanos, ligados ao cinema, no musical Cabaret, 1965
. Inútil
. Citação
. Steve Jobs in Jornal Públ...
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. Citações