Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

O elefante acorrentado

 

Quando eu era pequeno, adorava o circo e aquilo de que mais gostava eram os animais. Cativava-me especialmente o elefante que, como vim a saber mais tarde, era também o animal preferido dos outros miúdos. Mas, depois da sua actuação e pouco antes de voltar para os bastidores, o elefante ficava sempre atado a uma pequena estaca cravada no solo, com uma corrente a agrilhoar-lhe uma das suas patas.

 

No entanto, a estaca não passava de um minúsculo pedaço de madeira enterrado uns centímetros no solo. E, embora a corrente fosse grossa e pesada, parecia-me óbvio que um ani­mal capaz de arrancar uma árvore pela raiz, com toda a sua força, facilmente se conseguiria libertar da estaca e fugir.

 

O mistério continua a parecer-me evidente.

O que é que o prende, então?

Porque é que não foge?

 

Quando eu tinha cinco ou seis anos, ainda acreditava na sabedoria dos mais velhos. Um dia, decidi questionar um professor, um padre e um tio sobre o mistério do elefante. Um deles explicou-me que o elefante não fugia porque era amestrado.

 

Fiz, então, a pergunta óbvia:

— Se é amestrado, porque é que o acorrentam?

 

Não me lembro de ter recebido uma resposta coerente. Com o passar do tempo, esqueci o mistério do elefante e da estaca e só o recordava quando me cruzava com outras pessoas que também já tinham feito essa pergunta.

 

Há uns anos, descobri que, felizmente para mim, alguém fora tão inteligente e sábio que encontrara a resposta:

 

O elefante do circo não foge porque esteve atado a uma estaca desde que era muito, muito pequeno.

 

Fechei os olhos e imaginei o indefeso elefante recém-nascido preso à estaca. Tenho a certeza de que naquela altura o elefantezinho puxou, esperneou e suou para se tentar libertar. E, apesar dos seus esforços, não conseguiu, porque aquela estaca era demasiado forte para ele.

 

Imaginei-o a adormecer, cansado, e a tentar novamente no dia seguinte, e no outro, e no outro… Até que, um dia, um dia terrível para a sua história, o animal aceitou a sua impotência e resignou-se com o seu destino.

 

Esse elefante enorme e poderoso, que vemos no circo, não foge porque, coitado, pensa que não é capaz de o fazer.

 

Tem gravada na memória a impotência que sentiu pouco depois de nascer.

 

E o pior é que nunca mais tornou a questionar seriamente essa recordação.

 

Jamais, jamais tentou pôr novamente à prova a sua força…

 

 

Jorge Bucay
Deixa-me que te conte. Os contos que me ensinaram a viver
Lisboa, Pergaminho, 2004

sinto-me: como o elefante grande
publicado por Aninhas às 11:58
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3 comentários:
De AB a 10 de Janeiro de 2011 às 13:00
queira Aninhas, nao sei mesmo se és tu?! só hoje descobri este tue outro blog.. e esta historia claro, ja mt minha familiar dos foruns do clix.. em tempos colaram-na para mim qdo eu estava presa à estaca.. é linda e muito verdadeira.. ficamos presas a fantasmas, só isso..
queria saber mt como estás e tb dizer-te que, porque acabaram com os foruns no clix, que era onde me sentia mais "em casa" na net, tive que aprender a criar um blog..se quiseres passar por lá, chama-se:
raioverde-http://cantinhodumaexanorectica.blogspot.com...
tb hei-de ir passando por cá agora que descobri o teu outro cantinho e tb le-lo melhor, pk so vi mm esta msg.
bjs
De AB a 10 de Janeiro de 2011 às 13:02
desculpa os erros, e tb me enganei no nome do blog que é http://raioverde-cantinhodumaexanorectica.blogs.pot.com
De AB a 10 de Janeiro de 2011 às 13:25
a ver se é desta Aninhas que acerto no meu blog.....grrrrrrrrr!!
http://raioverde-cantinhodumaexanorectica.blogspot.com

pleaseeeeeeeeeee

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