Terça-feira, 26 de Junho de 2012

Cada Dia é Sempre Diferente dos Outros

"Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual. 

— Porquê, pai? 
— Porque a memória não deixa que seja igual, mesmo que seja uma memória muito vaga, mesmo que seja só assim uma espécie de sensação muito vaga. É que a memória não é sempre aquilo que gostaríamos que fosse. Grande parte dos nossos problemas estão na memória volúvel que possuímos. Aquilo que é hoje uma verdade absoluta, amanhã pode não ter nenhum valor. Porque nos esquecemos, filho. Esquecemos muito daquilo que aprendemos. E cansamo-nos. E quando estamos cansados, deixamos de aprender. Queremos não aprender por vontade. Essa é a nossa maneira de resistir, mais ou menos, àquilo que nos custa entender. E aquilo que nos custa entender pode ter muitas formas, pode chegar de muitos lugares. 
— Porquê, pai? 
— Porque nos parece que é assim. Mas talvez não seja assim. Aquilo que nos custa entender é sempre uma surpresa que nos contradiz. Então, procuramos convencer-nos das mais diversas maneiras, encontramos as respostas mais elaboradas e incríveis para as perguntas mais simples. E acreditamos mesmo nelas, queremos mesmo acreditar nelas e somos capazes. Somos mesmo capazes. Não imaginas aquilo em que somos capazes de acreditar. 
— Porquê, pai? 
— Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva."

José Luís Peixoto, in 'Abraço


'

publicado por Aninhas às 20:19
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. A Estupidez e a Maldade H...

. ...

. O tempo

. Ser diferente

. ...

. ...

. Os silêncios

. Pediatria

. Pensamento

. Pensamento

. Cada Dia é Sempre Diferen...

. Saber Aconselhar

. Irmão

. O sonho

. Competição

. Abraça-me

. A minha paixão! =')

. Inútil

. Agora que Sinto Amor

. Citação

.arquivos

. Maio 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Feliz

. Férias

. Para ti... sorrio

. Conclusão da consulta

. Sofrida

. É agora ou nunca

. O lobo

. Mudar de vida

. A vida que eu levo

. Pensamentos contraditório...

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds