Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

Pouco há a dizer

pouco há a dizer:
que o fim está próximo
que tudo se desfaz no silêncio da melancolia
tudo se repete de novo:
a simbiose das árvores com o vento
as chuvas com os rios

embora haja pouco a dizer e que tudo se repete
eu nunca descubro o segredo que conta o depois do fim
é que a terra que é também o meu corpo não recebeu ainda a semente reveladora do começo
irei como tudo o que é neste mundo até ao fim da escuridão decompondo-me na melopeia das palavras
dispersas no vento de Outono
haverá fim?
farei as preces ainda com os olhos fechados
Se houver depois o amor e ainda a Primavera
saberei o que é o Paraíso
como se de um sonho se nascesse
Será sempre assim?
publicado por Aninhas às 20:18
link do post | comentar | favorito
|

Pensamentos

O último diapositivo da aula de anatomia de hoje dizia o seguinte:

 

"O que desespera não é o impossível
mas o possível que nunca é alcançado."

 

Gostava de ouvir comentários. Gostei muito.

publicado por Aninhas às 20:17
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Domingo, 16 de Setembro de 2007

Procura-se um amigo...

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perde-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memorias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
 
 Vinicius de Moraes

publicado por Aninhas às 12:11
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

O sofrimento

O “eu” que penso ser e o “eu” que realmente sou! Em outros termos, o sofrimento. Cerca de um terço do sofrimento que devo suportar é inteiramente inevitável por ser inerente à própria condição humana. Representa o preço que todos temos que pagar pelo fato de sermos dotados de sensibilidade; embora sedentos de liberação, nos sujeitamos às leis naturais que nos obrigam a continuar caminhando (sem poder retroceder) através de um mundo inteiramente indiferente ao nosso bem-estar. Caminhando em direcção à decrepitude e à certeza da morte. Os outros dois terços são “confeccionados em casa” e o universo os considera inteiramente supérfluos.
Aldous Huxley

sinto-me: sofrida
publicado por Aninhas às 20:07
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

A escada sem corrimão

É uma escada em caracol
e que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se p'rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.

 

David Mourão-Ferreira, Antologia Poética [1948-1983], Publ. Dom Quixote

tags:
publicado por Aninhas às 18:53
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. A Estupidez e a Maldade H...

. ...

. O tempo

. Ser diferente

. ...

. ...

. Os silêncios

. Pediatria

. Pensamento

. Pensamento

. Cada Dia é Sempre Diferen...

. Saber Aconselhar

. Irmão

. O sonho

. Competição

. Abraça-me

. A minha paixão! =')

. Inútil

. Agora que Sinto Amor

. Citação

.arquivos

. Maio 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

.tags

. todas as tags

.favoritos

. Feliz

. Férias

. Para ti... sorrio

. Conclusão da consulta

. Sofrida

. É agora ou nunca

. O lobo

. Mudar de vida

. A vida que eu levo

. Pensamentos contraditório...

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds