É um caderno de linhas aberto, calmamente esperando movimentos compassados do lápis a desenhar letras, palavras, números, contas… Aprender é isso, mas felizmente que a vida é muito mais. Há coisas que se aprendem tão bem sem quase ninguém ter que ensinar e tanta coisa que se ensina que quase ninguém aprende. Ainda bem que há sempre uma certa ironia aliada da verdade, um escrever direito sobre linhas tortas, um acertar que segura e confirma, um falhar que descobre e alerta, um mal estar que lembra e desperta.
Há uma mensagem que se resume a isto: descobrir de novo a simplicidade esquecida das coisas, a harmonia secular do bom senso e, em caso de dúvida, «sê sempre tu próprio!»
O verdadeiro ensino não está só nos manuais, não se aprende soletrado em dez lições, não se compra estafado na encomenda de ocasião, nunca chega por decreto (quanto a isso, nunca). Mais força que todas as leis tem o homem e dentro dele as crianças: o poder de inverter a certeza de alguns movimentos, muitas vezes antes que o sol feche o seu círculo no céu, o contrário de uma certa tendência para pensarmos demasiado em nós próprios, o secreto entender que de altos e baixos se faz a tranquilidade.
Antes que as crianças sejam velhas demais para verem sozinhas o que há para ver ensinemos-lhes ternamente a Vida, a maior das sabedorias.
Do livro “Preciso de Ti - Perturbações psicossociais em Crianças e Adolescentes” de Pedro Strecht