Quinta-feira, 12 de Junho de 2008
Os ossos

É nos ossos que está o sangue primitivo

O que leva as células- mãe, o que não escorre

É nos ossos que endura,

A menos que arda

A mensagem cifrada que nos guia.

 

O que no fémur sempre me enternece

É a ligeira anteversão do colo.

O grande osso das pernas

Rodando no ilíaco,

descendo para o redondo perfeito do joelho

 

E as espinhas ilíacas são uma vertigem.

Agora expostas

quase sempre cegam.

 

Das vértebras cervicais

os japoneses sabem.

E a curva das dorsais

é que projecta as mamas.

Os do metacarpo alongam
as mãos mais curtas.
E o astragalo? Experimenta como
dizê-lo pode mudar um dia.

 

E os ossos que viram para trás: o sacro,
O occipital, concavo de outra mão,
esse osso duro do cotovelo.

 

Os ossos com que nos olham:
Os malares, a cabeça dos úmeros,
As clavículas
A sínfise do púbis
onde (não devia ainda revelar)
Borges cegou
com o brilho do Aleph.

 


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publicado por Aninhas às 22:08
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