Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Abraça-me Bem

Levantas o teu corpo cansado do chão
Afasta esse peso que te esmaga o coração
Abres uma janela e pergunta-te quem és
Respiras mais fundo e enfrentas o mundo de pé

Eu venho de tão longe e procuro há mil anos por ti
Estendo a minha mão até te sentir
Não sabemos nada do que somos nós
Mas sabemos tanto do que muda por não estarmos sós

Abraça-me bem

Levantas os teus olhos para me olhar assim
Procuras cá dentro onde me escondi
E eu tenho medo, confesso, de dar
O mundo onde guardo tudo o que mais quis salvar

Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto
Não há como saber se o caminho é o certo
Só pode voar quem arriscar cair
Só se pode dar quem arriscar sentir

Abraça-me bem

Mafalda Veiga

publicado por Aninhas às 21:39
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Preciso de ti

Um pequeno excerto do livro “Preciso de Ti - Perturbações psicossociais em Crianças e Adolescentes” de Pedro Strecht.

 
A vida nem sempre é justa. As crianças não nascem iguais em direitos. Mas não podemos desistir de contrariar uma certa ordem das coisas, bater à porta dos corações e perguntar sem medo: pode-se entrar? Indignarmo-nos sempre que for preciso. Lutar.
 
O mundo que queria aqui era não só a alegria da vida ou a sorte de ter pais, o que queria aqui era a mudança de alguns solos, as cores inflamadas das bocas sem voz, dos olhos sem vista. Letras de mãos dadas a escreverem destinos de mais harmonia. Preciso de ti.
 
Este é um livro sobre perturbações psicossociais em crianças e adolescentes. É feito de histórias de muitos que viveram perdidos o tempo da infância. Nunca crianças, ainda crianças, dir-se-ia. Por isso, transporta dor, desamparo, perda, confusão, escuro, revolta. Mas nas mesmas linhas existe simplicidade, humildade, grandeza, coragem, lições de vida que todas estas vidas ensinam. O lado em todos nós tocados para que continue indiferente.
(,,,)
 É que, ironicamente, esta expressão patológica contém em si mesmo a eficácia de um S.O.S., num apelo para todos de valer a pena parar para pensar. Por isso, este livro é também um convite a uma reflexão forte sobre as raízes dos problemas, numa expressão de esperança dos que esquecemos, da força dos que ignoramos, das vozes que chamam: Preciso de ti.
 
 
Lembra-te de mim, parecem eles dizer.
                As ruas podem mudar, mas estou lá. Lembra-te. Puxa o Sol para perto, ilumina todos os silêncios. De mim, de mim. Lembra-te, lembras? Passa um «spot» televisivo em horário nobre. Faz qualquer coisa por mim. Que não esqueçam. Estou aqui. Acende uma vela à tua janela se faltar alguém. Sou eu. Jura. Toca todos os sinos a rebate.
                Ainda tenho o mesmo sorriso, parecem eles dizer. Preciso de ti.

 

 

publicado por Aninhas às 13:39
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Não quero ser na tua vida:

A primeira! Pois é na primeira que se consegue verificar todos os nossos erros, vendo o quanto é preciso aprender;

 
A última! Pois ela é quem leva a responsabilidade de realizar tudo quanto as outras não foram capazes, ou competentes, o suficiente para sustentar um relacionamento;
 
A mais importante! Nem pensar; pois geralmente as coisas mais importantes são aquelas que menos lembramos, apenas sabemos que são importantes por alguma coisa que fizeram;
 
A única! Também não, pois jamais seria capaz de entender, em todos os sentidos, antes que enjoasses de mim, não satisfazendo os teus desejos por não ter tempo de conhecê-los.
 
Na tua vida, gostaria, apenas, de ser daquelas que não fosse muito importante, não estivesse a lista dos primeiros, nem tão pouco na dos últimos, que não fizesse arrepender de não ter outras experiências, mesmo que me tenhas como alguém especial. Alguém do qual jamais esquecerás, não como um amigo, namorado, mas a pessoa que fez com que por algum tempo ou, quem sabe sempre, sentisses a verdadeira importância de um sentimento puro, simples, sincero e profundo.
Felizmente ainda acredito que conseguirei alcançar todos os meus ideais. No entanto, espero que tu tenhas o meu nome em um local separado dos outros.
publicado por Aninhas às 12:30
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Os ossos

É nos ossos que está o sangue primitivo

O que leva as células- mãe, o que não escorre

É nos ossos que endura,

A menos que arda

A mensagem cifrada que nos guia.

 

O que no fémur sempre me enternece

É a ligeira anteversão do colo.

O grande osso das pernas

Rodando no ilíaco,

descendo para o redondo perfeito do joelho

 

E as espinhas ilíacas são uma vertigem.

Agora expostas

quase sempre cegam.

 

Das vértebras cervicais

os japoneses sabem.

E a curva das dorsais

é que projecta as mamas.

Os do metacarpo alongam
as mãos mais curtas.
E o astragalo? Experimenta como
dizê-lo pode mudar um dia.

 

E os ossos que viram para trás: o sacro,
O occipital, concavo de outra mão,
esse osso duro do cotovelo.

 

Os ossos com que nos olham:
Os malares, a cabeça dos úmeros,
As clavículas
A sínfise do púbis
onde (não devia ainda revelar)
Borges cegou
com o brilho do Aleph.

 

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publicado por Aninhas às 22:08
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Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

publicado por Aninhas às 22:03
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Na entrada porosa da noite

Na entrada porosa da noite,
uma canção de embalar reconduz-me à inocência,
pela mão de qualquer encantamento.
Um negro perfume exala dos meus cabelos,
ateando-me, na cara, a remissão de todas as culpas.
Sou uma criança receosa
que salta um muro, denso de heras
e procura, por sombras invisíveis,
o caminho de casa.

 
Graça Pires

 

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publicado por Aninhas às 14:31
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